Estudos organizacionais & cidades

Prefaciar um livro é no mínimo uma tarefa desafiadora, podemos dizer que coloca a prova algumas
capacidades que precisamos desenvolver cada vez mais na área acadêmica. Os desafios na educação
têm aumentado ano após ano. Cresce o desinteresse dos alunos, pioram os índices que medem a
qualidade do ensino, evasão escolar etc. Além de incertezas quanto a qualidade dos alunos,
professores e profissionais que se formam a cada período. A missão de um bom prefácio é despertar
no leitor a curiosidade, o interesse e ainda apresentar uma “pitadinha” do que se trata cada um dos
trabalhos reunidos neste livro. Aceito o desafio, vamos em frente.
“Por que minha tese é política?” parte de uma provocação feita pelo professor que leciona a disciplina
de Teoria das Organizações – disciplina obrigatória no currículo do primeiro semestre de aulas do
doutorando em Administração pela UFMG. Desde o início das aulas ele reforça a importância de
pensarmos criticamente a respeito de quem seremos na academia. Um exercício de pura reflexão que
nos faz pensar sobre que professores/ pesquisadores queremos ser. Centrado em uma visão pósestruturalista
o trabalho apresenta uma definição de política para então propor uma compreensão
própria. A proposta passa por assumir os termos de uma abordagem teórico-epistemológica situada
em um paradigma ético, estético e político, que declara pela defesa de quais interesses luta.
Continuando por um caminho crítico, buscamos observar a percepção das pessoas nas redes sociais a
respeito de da ação de retirada da população usuária de crack que habitava aquele território. Ações
como essa faziam parte do projeto “Cidade Linda” promovido pela equipe de gestão da prefeitura da
cidade de São Paulo à época. A ação truculenta da prefeitura provocou a reação de entidades em
defesa dos moradores e usuários que ocupavam a região, mas também o endosso de ações de
gentrificação comum em grandes centros urbanos em nome de um suposto desenvolvimento
urbanístico. Analisar o que as pessoas falam nas redes sociais, ou melhor, suas opiniões, demonstrou
uma falta de empatia no olhar ao outro, mas mostrou também que há pouca percepção da relação
entre a ação da prefeitura e “revitalização” da cidade.
A maior e, considerada por muitos, a melhor festa brasileira o Carnaval. O olhar das práticas sociais, a
partir da abordagem teórica proposta por Theodore Schatzk, permite-nos pensar o Carnaval para além
de seu caráter festivo, mas como um conjunto de práticas sociais organizadas. Múltiplas atividades
humanas e arranjos materiais situados no tempo e no espaço, em um dado contexto, que reunidos,
contribuem para que escolas de samba atinjam seu objetivo de desfilar na avenida…

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